20190811

Obsalissa


Ela, quem anoitece e amanhece

outono e inverno

olho dentro e fundo

anda como se houvesse guerra

desacelera e suaviza o gesto



Ela, o silêncio, a dúvida

sabe o tanto que quer avesso

do que aparece na superfície

desfaz o espelho d’água

desvenda a pedra e o limo



Ela, o homem, a música;

gélido vulcão hibernando

olhos abertos, olhos fechados

sua transpiração produz sucos



Ela atrai os poetas cegos

e bebe seu todo sempre,

alimenta suas mentes, sementes brotam 

e papoulas florescem absurdas



Ela, subterrânea; não é mãe -

convida virgens ao seu deleite,

àquela sensação extrema



Ela, quem anoitece e amanhece

cria tétricas ficções

(para ser livre) busca o que proíbem 

as leis do medo e do pudor

@zeligara